Apontamento
“ Na primavera vou viver contigo! “- foi isto que Jorge Listopad diz ter ouvido nos jardins da Gulbenkian, um dia destes, talvez.
Mas esta não poderia ser a primeira frase desta história.
Mas poderia ser assim: “ Não era Primavera quando fui viver contigo, mas sim Setembro, no Outono, no seu início.”
Vai ser na primavera que te vou deixar. Viver contigo é agora muito difícil e denso. Por isso e talvez não só por isso, vou deixar-te na Primavera.
A frescura dos dias novos e claros do mês de Abril será o momento para o quebrar de laços tão frágeis e tão profundos.
A fragilidade dos sentimentos não tem nada a ver com a resistência de forças físicas como a de amarras de navios ou a da tensão dos fios do Norte.
Deixei-te na Primavera.
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