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E assim viver, era agora aproveitar cada minuto, cada sopro de vida, cada instante, toda a existência. Viver porque tinha valido a pena esperar, mesmo tendo por vezes sentido o desespero e a margem que separa a vida do outro lado. Do lado de lá, onde não é bom chegar, porque o difícil é regressar.

Regressar sem feridas, de um mundo onde o irreal e o aéreo são as referências sem limites.

Mas agora era do lado bom, do lado da vida, que se sentia bem, feliz, talvez um pouco sensível de mais, ao toque breve da brisa passageira. Que importa, se a felicidade chegava agora e sentia-o bem, vinha para ficar. As raízes estavam já um pouco entrelaçadas, fortaleciam-se a cada instante. E era bom pensar que dentro de si, os ramos, as folhas e talvez até os primeiros rebentos, já em flor, habitassem o seu coração.

O seu ser, o seu corpo aberto para o mundo, para a felicidade da plenitude do amor.

Para amar o dia

para amar a noite

os seres povoam o espaço azul

todo o planeta respira

e os gestos naturais

são sempre os primeiros...”


Fechado o caderno, inicia a descida, de regresso a casa.

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