Domingo à noite, à espera de segunda-feira
Dantes, quando ainda trabalhava, os fins de tarde e as noites de domingo eram sempre uma angústia.
Era o terminar do fim-de-semana, do tempo de descanso e de lazer que rapidamente se esgotara e anunciava a manhã de segunda-feira e a interminável semana de trabalho intenso e desgastante, que teria de enfrentar.
Invariavelmente, na última sessão da tarde, para prolongar um pouco mais o “tempo útil” de domingo, qualquer que fosse o filme escolhido e a boa companhia a meu lado, havia sempre esse sobressalto, esse desassossego.
Agora, o anoitecer, aos domingos, é toda uma outra inquietação, à espera pelo fim do dia de segunda-feira, à espera de “Sefirin Kizi”, como uma adolescente apaixonada que espera ansiosa pelo namorado, nos primeiros encontros, ingénuos e furtivos.
No écran “em loop”, os episódios mais recentes de “Sefirin Kizi”vão correndo, fotograma após fotograma, impressionando a minha retina, invadindo o meu espírito, inundando a minha alma.
E já em “fora de campo”, nesse espaço em que as personagens desaparecem e na nossa imaginação continuam a existir, é onde está Sancar Efe, ou serás tu, Engin Akyürek?, os teus silêncios, o teu olhar penetrante, a tua voz melodiosa e matizada, os teus gestos esculturais, moldados pela energia do teu eu interior e reflectidos na persona que encarnas...
Maria José Couto
06/03/2021
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