"Num outro dia, terça-feira, fui de manhã cedo à baixa. À baixa da cidade do Porto.
Quantas e quantas vezes percorri esse mesmo caminho e só nesse dia reparei em coisas que nunca tinha visto, com estes olhos de ver, de agora.
Vi, pela primeira vez, a monotonia esmagadora dos grandes prédios cinzentos e húmidos, que os anos destroem. Senti como essa tristeza entrava dentro de mim, como se fosse minha.
A maneira como esta cidade chegou a ser, o que é hoje, cidade, máquina e habitat de robots, nunca poderei compreender (...)"
Porto, 31 de Janeiro de 1974
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