Protesto contra (com o risco de destruírem o meu protesto também) Agora em vez de serem os miúdos, pobres de rua, a escreverem asneiras nas paredes dos prédios, somos nós, únicas pessoas conscientes desta vida, que tentamos mostrar a que ponto chegou este mundo... Nós, é que nessas paredes e muros, escrevemos protestos... protestos escritos com o sangue daqueles que pelos nossos ideais já morreram ou foram para essa guerra odiosa, que nunca nos pertenceu...e lá ficaram... D'antes os miúdos de rua escreviam palavras sujas nas paredes... (ninguém se preocupava com isso) Hoje, mal escrevemos verdades negras (e tão verdades) logo as apagam com tinta branca (de traição) para tentarem afastá-las ...de nós próprios... mas nunca o conseguirão! Porto, 23 de Abril de 1974