Menina, o que vai ser?
Na esplanada do café dos prédios de tijolo cor-de-laranja, próximos de onde vivo. Ultimamente tenho ido aí traduzir os contos de E.A. e receber um pouco de ar fresco pela tarde.
Sou tratada por “menina”, apesar da idade evidente nos meus já inúmeros cabelos grisalhos.
Durante décadas, essa forma de tratamento coloquial e próxima, denotando uma relação que no caso era inexistente, costumava irritar-me...
Hoje à tarde, esse “- menina, o que vai ser?”soou diferente.
Como se essas relações não existentes do passado, pudessem ser hoje, na esplanada dos prédios de tijolo cor-de-laranja, um laço que nos une a este presente desconexo e fragmentado.
16/04/2021
Comentários
Enviar um comentário