Engin Akyürek
Engin Akyürek “apareceu” na minha vida, no verão passado, em plena pandemia Covid 19, sob a forma de Ömer, protagonista de “Kara Para Ask”.
O confinamento “obrigava-me” a continuar fechada em casa, realidade agora permanente. A música, a literatura e o cinema, paixões antigas, eram agora a minha única companhia e alimento espiritual.
Isto, nas longas tardes e sombrias noites do meu descontentamento. A surpresa, que em breve se tornaria em deslumbramento, levou-me a visionar episódio após episódio, até ao final, interrompendo apenas para descansar umas horas, ao amanhecer.
A empatia entre o par de protagonistas, Ömer e Elif, a sua história de amor e desencontros, dentro da complexa trama envolvente e bem conseguida de todo o guião, tornou-me completamente dependente.
Seguiu-se o procurar na “net”, no youtube, de outros desempenhos do actor e o construir da imagem do actor, personagem após personagem.
O realismo e ao mesmo tempo a transcendência da sua interpretação continua a surpreender-me, à medida que vou conhecendo cada uma das personagens que encarnou, ao longo do seu percurso como actor.
Recentemente descobri o Engin Akyürek, escritor de contos.
Histórias curtas, geralmente com finais surpreendentes e incrivelmente bem escritas. A linguagem e a imagética que utiliza têm uma carga poética e metafórica, intensa e cinematográfica. Conseguimos ver os “frames” que dão vida às imagens de um filme projectado numa enorme tela, como a das sessões nocturnas no terraço de Umut em “Bir Ask Iki Hayat”.
Isto, apesar de ainda só ter lido cinco das suas histórias, que encontrei em espanhol e que traduzi, sinto que já começo a entender a linguagem e o imaginário de Engin Akyürek como escritor.
Ultimamente dou por mim a pensar que se tivesse tido um segundo filho, (o meu filho, que amo incondicionalmente, tem mais ou menos a mesma idade de Engin), poderia ter sido Engin Akyürek, “o grande coração branco”.
16/12/2020
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