A escrita de Engin Akyürek
A infância, a adolescência e a idade adulta são três das estações da vida, inspiradoras na escrita de Akyürek.
Para além de uma leitura imediata e já em si tocante e comovedora, os seus contos contêm camadas sobrepostas e nelas mergulhamos até ao mais profundo da condição humana.
Na mente de quem a lê, à medida que a narrativa invade os interstícios da alma, a história torna-se presente, real e única.
A infância cálida e acolhedora, a dor e a alegria, o amor e os desencontros nas relações afectivas, a solidão acompanhada, a tristeza e a plenitude, soltam-se das palavras, das frases, dos parágrafos, das páginas...
A sua escrita é límpida, clara e despojada de artifícios, mas com uma enorme intensidade poética subjacente a cada imagem verbalizada. A simplicidade descritiva aliada à riqueza semântica, a beleza formal da linguagem utilizada, a adjectivação luminosa, as comparações desconcertantes e as metáforas assertivas, tornam-se assim na singularidade da escrita de Akyürek.
O autor que diz ser “um actor que também gosta de escrever contos”, na humildade que o caracteriza, desnuda-se na sua escrita e o seu maravilhoso mundo interior vai-se revelando um pouco mais, a cada novo conto publicado.
Ler Engin Akyürek é um verdadeiro e renovado prazer intelectual e sensorial.
28 e 29 de Dezembro de 2021

Comentários
Enviar um comentário