Engin olha o horizonte
1 - Todas as fotografias de Engin Akyürek da produção fotográfica na Marie Claire Man, estão fantásticas.
O “punctum”(1) em todas elas é o todo!
Mas esta fotografia é a que melhor ilustra a
definição de “punctum” de Roland Barthes. (2)
2 -De pé, quase de corpo inteiro, cabeça ligeiramente voltada ao seu lado esquerdo, num areal de praia, olhar fixo num ponto distante que não vemos mas supomos ser lá longe na linha do horizonte, onde o mar encontra o céu...
Camisa e calças de um verde azeitona um pouco seco, tecido fluído e ondulando ao vento, cobrindo um corpo que apenas se adivinha...
3 -Para além do impacto visual de Engin ele próprio, há o impacto do olhar de Engin para “fora de campo”, para lá do que o nosso olhar alcança.
Olhamos a fotografia, vemos Engin mas não o que ele vê. E isso é o “punctum” do “punctum”!
O que fere, impressiona a retina do observador não é só o que vê, mas também o saber que o que Engin vê, quem observa, não pode conhecer.
O encantamento do mistério cativa ainda mais...
4 -Engin tem uma disponibilidade física e emocional para se entregar à luz e à sua captura pelas lentes da máquina fotográfica, nunca antes vista.
Em tudo o que faz, a paixão e a empatia estão presentes e Engin Akyürek pode assim transformar o dia mais cinzento, num arco-íris de emoção e sentimento.
Maria José Couto
20-06-22
Punctum – “O punctum aponta para as características de uma fotografia que parecem produzir ou transmitir um significado sem invocar nenhum sistema simbólico reconhecível. Esse tipo de significado é exclusivo da resposta do observador individual da imagem. O punctum pontua o studium e, como resultado, fere/impressiona o espectador.”
(2) Roland Barthes – escritor, sociólogo, filósofo francês, séc.XX
créditos da foto - @emreunalstudio

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