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“Telefondaki Kız”

A Rapariga ao Telefone”


Ainda sob a tensão e a emoção de ter traduzido, quase em tempo real, a história de Engin Akyürek para a edição 46 da revista Kafasina Göre, eis algumas reflexões:


As frases dos diálogos entre o “Rapaz de 15 anos” e “A Rapariga ao Telefone” lembram a conversa entre o Principezinho e a Raposa, quando a Raposa explica o que significa “cativar” em “O Principezinho”.*


Rapaz de 15 anos:


(...)estou a tentar compreender-te.” P4^


Rapariga ao Telefone:


(...) tentar entender alguém não quer dizer conhecer a sua verdade.” P4^


Eu quero partilhar os meus sentimentos e as coisas que sei contigo.” P4^


Rapaz de 15 anos:


Obrigado pelos sentimentos que me fizeste sentir.” P5*^


A “amiga imaginária” do adolescente solitário e sonhador pretende uma amizade incondicional, sem perguntas com necessidade de serem respondidas.

Mas o facto de o rapaz não saber o nome, não conhecer o rosto que lhe corresponde, duas das marcas da identidade de outrem, limita a relação.

No desenlace da história:

Décadas passadas a “amiga imaginária” da adolescência emerge das memórias avivadas pela reescrita da história e aparece à superfície, manifestando-se de novo.

O telefone toca e vinda de algum outro lado distante, com décadas de distância, ouve-se uma voz, verdadeira e clara; é de novo “A Rapariga ao Telefone”...

A amiga imaginária do adolescente solitário e triste permanecera na memória emocional do narrador, agora adulto.



A “Rapariga ao Telefone”, é também por isto uma história sobre a amizade desinteressada e pura e por isso intensa e obsessiva, que durante a adolescência é muitas vezes a única forma possível de equilíbrio emocional.


A escrita de Engin Akyürek, inspirada, luminosa e sensível tocou de novo a minha alma.



    Notas:

    * O Principezinho, 1943, Antoine de Saint-Exupéry

    ^ P4 na tradução

    *^ P5 na tradução

Maria José Couto

02-09-2022

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