Engin Akyürek é Tahir Lekesiz
“Coacervatos voam estilhaços”*
Lembro-me desta frase, quando observo a actuação de Engin Akyürek na pele de Tahir Lekesiz, nestes primeiros episódios de Adım Farah.
Chegou como um furacão após a tempestade, numa profusão de tons e vocalizações poderosas.
Gestos precisos, olhares provocantes, contidos e insinuantes. Sentimentos desencontrados e sensações denotadas, sorrisos melancólicos, apenas esboçados.
Uma explosão contida de emoções.
Akyürek preenche a cena e o ecrã, o espaço e o tempo, essa galáxia que ilumina o nosso íntimo, já depois do último frame se ter desvanecido.
Por isso o punctum em Tahir é uma explosão de partículas astrais que voam, como estilhaços de luz, em direcção ao interior de cada um de nós.
Porque nas personagens que Engin
Akyürek encarna, o punctum está sempre lá e é sempre um desafio,
uma insinuação, uma provocação. Um encontro solitário entre a
sua aura, a essência do personagem e a alma do espectador.
Porque em Akyürek cada personagem tem um adn próprio, irrepetível, a única constância é o talento e a genialidade do actor.
Mais uma vez abalou todas as minhas certezas em relação ao Cinema,
essa arte sublime através da qual vivemos sonhos e vidas que não podemos ter nem ser.
Engin Akyürek, fabulosa, magistral actuação!
*verso de um poema de “Meditações”, José Maria da Silva Couto, 1982
27-03-23

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